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Por que criamos a Neotrip: a conta que ninguém no hotel estava fazendo

Todo hotel conhece o custo da comissão. Quase nenhum calcula o que a dependência de OTA tira do próprio valor de mercado, e foi dessa conta que a Neotrip nasceu.

Bruno Casagrande

5 min de leitura

Todo dia 5, mais ou menos, acontece a mesma cena em milhares de hotéis pelo Brasil. O gestor abre o relatório do mês, corre o olho pela ocupação — até que boa, o hotel encheu — e então chega na linha da comissão. E ali, todo mês, um pedaço do faturamento já tinha ido embora antes do primeiro hóspede fazer check-in.

Ninguém gosta de olhar pra essa linha. Mas ela conta uma história.

A Neotrip não nasceu de uma grande sacada tecnológica. Nasceu dessa conta. Uma conta simples, que estava na frente de todo mundo — e que quase ninguém parava pra fazer até o fim.

O que a conta não é: muito além de "a OTA é cara"

Vale começar tirando da mesa o argumento fácil, porque não é dele que a gente está falando.

“OTA é cara” e “a comissão subiu” — isso todo hoteleiro minimamente rodado já sabe. Como o Gustavo colocou na nossa mesa de discussão, rede grande e gestor sênior já fazem essa contabilidade de canal o tempo todo:

Apontar que a OTA é cara ou que a taxa subiu não diz nada de novo pra quem toca operação. Esse cálculo eles já fazem de olhos fechados. O ponto tem que ser outro.
Gustavo Meira · CEO da Neotrip

A OTA, aliás, resolve um problema real. Ela é útil pra vender aquele quarto que sobrou, pra garantir receita num mês de baixa ocupação, pra colocar o hotel na frente de quem nunca ouviu falar dele. Isso tem valor, e a gente não vai fingir que não tem. O problema é outro, e é mais fundo.

O custo real de perder o hóspede para a OTA

Quando um hóspede reserva pela OTA, o hotel não perde só a comissão daquela estadia. Perde o hóspede. O contato, o e-mail, a preferência, o histórico — tudo isso fica com a plataforma, não com você. Da próxima vez que essa pessoa quiser voltar, ela vai passar pela OTA de novo. E pagar comissão de novo. E de novo.

A OTA capta a primeira reserva. E, do jeito que a maioria dos hotéis está montada hoje, também capta todas as seguintes — porque o relacionamento nunca chegou a ser do hotel.

A verdadeira falha não é a OTA existir. É a negligência em fidelizar quem já se hospedou. Um hóspede que voltaria três, quatro, cinco vezes de forma direta — sem comissão nenhuma depois da primeira — vira, na prática, uma sequência de reservas intermediadas. O hotel recebeu a pessoa, cuidou dela, fez tudo certo dentro de casa. E mesmo assim deixou o vínculo escorrer pela mesma linha do relatório, mês após mês.

Dois hotéis idênticos, valores diferentes.

Dependência de OTA e valuation: quanto vale um hotel sem canal direto

Agora vem a versão dessa conta que quase ninguém enxerga — e que é a mais cara de todas. Ela aparece no dia em que o hotel vai ser vendido, avaliado, ou receber investimento.

Imagine dois hotéis idênticos. Mesma ocupação, mesma diária, mesma estrutura. Um vende quase tudo pela Booking. O outro vende metade direto, com base de hóspede própria e clientes que voltam sozinhos, sem intermediário.

Esses dois hotéis não valem o mesmo. O que vende 50% direto tem um múltiplo de valuation muito maior — porque tem previsibilidade, recorrência e a posse da base de clientes. Isso é o que o mercado paga caro.
Gustavo Meira · CEO da Neotrip

Quem depende de um intermediário pra encher não é dono da própria demanda. E demanda que não é sua vale menos na hora da conta grande. Um hotel com canal direto forte é um hotel com ativo próprio; um hotel 100% dependente de OTA é, na prática, um hotel que aluga a própria clientela todo mês.

Por isso a comissão é só a ponta do iceberg. O que a dependência de OTA custa de verdade não é o percentual que sai no mês — é o valor de mercado que o hotel deixa de construir a cada hóspede que passou e não virou relacionamento.

O mesmo hóspede, dois caminhos.

A OTA não é o vilão: como reequilibrar seus canais de venda

Aqui é importante ser honesto, porque é fácil transformar esse assunto numa cruzada — e não é isso.

A OTA faz uma coisa muito bem: dá visibilidade. Ela coloca um hotel pequeno do interior na frente de um viajante do outro lado do mundo que nunca o encontraria sozinho. Isso tem valor real, e fingir o contrário seria desonesto.

O problema nunca foi usar a OTA. É depender só dela. É quando a plataforma deixa de ser uma vitrine — um canal entre vários — e vira a caixa registradora, o único caminho pelo qual o hóspede chega. Aí o hotel perde as duas coisas ao mesmo tempo: margem hoje e valuation amanhã.

A saída não é sair da OTA. É reequilibrar. Usar a plataforma pelo que ela faz bem — atrair, dar alcance, preencher a baixa — e, a partir daí, construir um caminho direto com quem já se hospedou.

O que a Neotrip decidiu construir

A Neotrip nasceu pra fechar exatamente essa distância — entre encher o hotel e ser dono da relação com quem o encheu.

A gente não acha que hotel deveria virar empresa de tecnologia pra sobreviver. Acha que a tecnologia deveria trabalhar pro hotel, e não o contrário: devolver ao hoteleiro o controle sobre o canal direto, sobre o dado do hóspede, sobre a próxima reserva. Transformar aquele viajante que chegou pela vitrine num hóspede que volta direto — e que, da segunda vez em diante, é seu.

Porque, no fim, a conta é simples. Sempre foi. O que faltava era alguém dedicado a fazê-la até o fim — e a construir o que vem depois dela.

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